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As funções da família 1

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Sobre a Dignidade

Domingo passado vimos que o ponto de partida para ser e viver família é a dignidade humana. Ela é a base dos relacionamentos sadios.
Tudo começa com o reconhecimento de que as pessoas à nossa volta, inclusive aqueles dentro de nossas famílias, são dignas de respeito, primeiro porque foram criadas com um propósito e têm o direito de viver aquilo que Deus desejou para elas.
Alem disso, ao nos criar, Deus nos fez a sua imagem e semelhança, homens e mulheres, e nos deu a missão de moldar sua criação. Essa decisão de Deus conferiu a todo ser humano uma dignidade especial, além do restante da criação, que não pode ser negada a ninguém.
Por isso, todos aqueles com quem convivemos na família, marido e esposa, filhos e pais, avós, cunhados, tios, sobrinhos, primos... são dignos de respeito e consideração. Sejam pessoas fáceis ou difíceis de lidar, eles foram criados com um propósito e a assinatura de Deus está neles, e devemos respeitar isso. Não pode negar a dignidade que o próprio Deus deu para eles.

Família tribal

A noção que hoje temos sobre família não foi sempre preponderante no decorrer da história. O grupo de pessoas que hoje chamamos de família, por mais ampliado que a gente considere, no passado era apenas uma pequena parte de uma estrutura maior que poderia ser chamada de tribo ou família tribal.
A família tribal era formada por grupos de pessoas que viviam em um mesmo lugar. Eles tinha antepassados comuns, relações de parentesco ou apenas de associação. Também faziam parte pessoas que apenas tinham os mesmos interesses e obrigações mútuas.
Portanto, a família como vemos hoje estava presente na Antigüidade, mas ela fazia parte de uma rede de relacionamentos maior que tudo que conhecemos hoje. É fácil ver isso na Bíblia.
Por exemplo, no Antigo testamento não existe uma palavra que corresponda precisamente a uma família composta apenas de pai, mãe e filhos. A melhor aproximação é o vocábulo Bayith (casa), traduzido como família em 1Cr 13:14, 2Cr 35:5, 12 e Sl 68:6.
Há um relato que pode nos dá uma boa perspectiva sobre as estruturas familiares existentes na época do antigo testamento. É a história de Acã. Ele havia desobedecido às ordens dadas por Josué ao soldados, de não ficarem com os espólios de uma batalha.
Joshua 7:16–18 NVI
16 Na manhã seguinte Josué mandou os israelitas virem à frente segundo as suas tribos, e a de Judá foi a escolhida. 17 Os clãs de Judá vieram à frente, e ele escolheu os zeraítas. Fez o clã dos zeraítas vir à frente, família por família, e o escolhido foi Zinri. 18 Josué fez a família de Zinri vir à frente, homem por homem, e Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, foi o escolhido.
O texto fala de Tribos, Clãs e famílias, do maior para o menor. Acã era casado e pai de filhos, mas ainda assim era apenas uma parte da família de seu avô, que era uma pequena parte dos agrupamentos maiores.

Funções da Família

O estudiosos dizem que a família tribal tinha pelo menos cinco funções básicas: reprodução, por meio da qual a tribo se perpetuava; educação, que possibilitava conservar e transmitir crenças e valores, além das aptidões necessárias à sobrevivência; segurança, que propiciava os meio de proteção de seus membros; cooperação, que promovia os meios de produção básicos e uma divisão do trabalho e apoio, que permitia atender às diversas necessidades psicossociais do ser humano.
Na verdade, os estudiosos não inventaram essa funções, eles apenas as descobriram. Essas funções são exercidas pela família como parte da resposta de Deus às necessidades humanas, que fazem parte de nós e ainda hoje precisam ser atendidas.

Reprodução

Logo no primeiro capítulo de Gênesis podemos ver a orientação do Senhor para que a humanidade se multiplique e encha a Terra, chamando atenção logo de cara para a função reprodutiva da família.
Genesis 1:27–28 NVI
27 Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.
Gerar filhos não é a única função da família, mas é uma delas. Não está nos planos de Deus que filhos sejam gerados de forma irresponsável, mas Ele entrega à família o privilégio de compartilhar com Ele do ato de criar, ao gerar uma nova vida. No entanto, nem todos temos a capacidade fisiológica de gerar filhos.
Na Bíblia há várias histórias de casais que não podiam gerar filhos como Elcana e Ana, Manoá e sua esposa. E não é raro o relato de mulheres que clamaram a Deus por um filho, como fez Ana, porque se acreditava que a limitação para gerar filhos era sempre delas:
1 Samuel 1:9–11 NAA
9 Certa vez após terem comido e bebido em Siló, Ana se levantou, quando o sacerdote Eli estava sentado na sua cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor. 10 E Ana, com amargura de alma, orou ao Senhor e chorou muito. 11 Ela fez um voto, dizendo: — Senhor dos Exércitos, se de fato olhares para a aflição da tua serva, e te lembrares de mim, e não te esqueceres da tua serva, e lhe deres um filho homem, eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias da sua vida, e sobre a cabeça dele não passará navalha.
A história nos relata que Deus atendeu à oração de Ana, mas nem sempre nossos pedidos são atendidos.
Foi o que aconteceu com um casal de amigos que clamou ao Senhor pedindo filhos que não vinham depois de anos de casamento. Depois de tentarem vários métodos de concepção, ficaram grávidos de trigêmeos. Mas sofreram a dor de perdê-los no meio da gestação. Esse casal aprendeu, a duras penas, lições que só poderiam aprendidas daquela maneira.
Depois de um período de muita luta com Deus, por causa da perda dos trigêmeos, e passado o tempo necessário para sua recuperação emocional, Deus operou de uma maneira diferente e eles decidiram considerar a adoção uma criança. Na verdade, adotaram duas meninas gêmeas.
Algo que me impressiona na experiência desse casal é uma das histórias que meu amigo sempre conta sobre o processo de adoção. Certo dia, depois de várias visitas às meninas, em um orfanato, ao voltar para casa, ele teve a clara sensação de que havia deixado suas filhas lá e desejou levá-las para casa junto com ele.
Disse ele que a partir daquele momento começou a compreender melhor o amor de Deus que também nos adotou em sua família, pagando como preço dessa adoção a vida de seu único filho legítimo: Jesus Cristo.
Por outro lado há casais que simplesmente não desejam ter filhos. Para alguns é uma questão econômica: nos sonhos que eles têm para si mesmos não cabem filhos; outros têm medo do mundo caótico em que vivemos, eles se perguntam se vale a pena colocar mais um vida neste mundo. Mas a vida é um presente de Deus, e é sempre bem-vinda.
Filhos nos ensinam a abrir mão do egoísmo, a rejeitar a avareza, a compartilhar o que temos e somos. Filhos são um alerta de que não somos um fim em nós mesmos. Não é uma tarefa fácil. Mas não há dúvidas de que concebê-los, de nossas entranhas ou do coração, é participar com Deus da sua criação.

Educação

Outra função da família é a Educação. É da família o principal papel na transmissão às gerações seguintes da cultura, crenças e valores que devem ter continuidade. Em Deut. 6:6-7 o Senhor orienta seu povo a ensinar aos seus filhos o amor a Deus e às pessoas; era preciso explicar às novas gerações porque valia a pena amá-lo e obedecer-lhe, cumprindo assim sua função educativa.
Deuteronomy 6:6–7 NVI
6 Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. 7 Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.
Hoje há certa confusão em relação à educação das crianças. A estrutura de muitas famílias não permite aos pais passar tempo com seus filhos. Pai e mãe trabalham, às vezes o dia todo, e não encontram tempo para compartilhar a vida com seus filhos. As crianças, então, são entregues às creches/escolas.
A criança, ainda bem pequena, passa mais tempo na companhia das professoras no colégio do que na companhia dos pais. As escolas, por sua vez, além da formação acadêmica das crianças, ensinam valores e crenças que nem sempre são as mesmas dos pais.
À noite, depois de um dia exaustivo de trabalho, pai e mãe chegam cansados demais para dar atenção aos filhos. Alguns sentindo-se culpados, sufocam os filhos com presentes, mimos e concessões, outros se tornam impacientes, rudes e distantes, porque não sabem como sair da situação em que acabaram ficando.
Quando a família não cumpre seu papel de educar, as crianças serão educadas em outro lugar. Quando você, papai e mamãe, não assume sua responsabilidade de estar perto dos seus filhos e ensinar pelo exemplo sobre o que realmente é importante na vida, alguém vai ficar perto dele e dizer essas coisas.
Quando a família abre mão de ensinar, pelo exemplo, sobre o amor a Deus pelas pessoas, seus filhos aprenderam eu outro lugar, de outras pessoas, coisas que talvez você nunca ensinaria para eles.
Quando os filhos vão crescendo é normal que essa função de educação passe a ser compartilhada com outras instituições da sociedade, mas é na família que ela deve ter suas expressão mais forte.

Proteção

Ainda em Gênesis, Deus ensina as primeiras lições práticas sobre proteção como uma das funções da família. Ele revela seu cuidado com a segurança do casal Adão e Eva e providencia para eles vestimentas de pele para protegê-los do frio e do calor.
Genesis 3:21 NVI
21 O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.
Família é lugar de abrigo e segurança. Adão e Eva tinham desobedecido a Deus. Eles desacreditaram na bondade de Deus e fizeram exatamente o que Ele havia dito que não fosse feito. O Senhor, então, ensinou que a família não é lugar de condescendência, mas nunca deixa de ser lugar de proteger. O erro cometido por Adão e Eva era grave, mas Deus não lhe negou proteção e cuidado.
A polícia protege contra os marginais (pelo menos deveria proteger), mas é a família nos protege de nós mesmos. É na família que podemos confessar os medos que nos assombram e receber proteção. É na família podemos nos sentir seguros enquanto aprendemos a lidar com nossas limitações. Proteger é função da família.
Família não é lugar de zombaria, nem deve ter espaço para ser fazer pouco caso uns dos outros. Família não é lugar de explorar a fraqueza dos outros, mas de fortalecimento mútuo para enfrentar a vida.
A família não é lugar de complacência mútua, mas deve ser um lugar em que há espaço para sermos nós mesmos e ainda assim nos sentirmos amados. Família é uma espécie de casulo que protege e prepara para a vida.
Quando a família não cumpre seu papel de proteger, a proteção é buscada de outra forma, em outro lugar, em outras pessoas. É assim que o crime organizado recruta meninos, oferecendo proteção. É assim que adolescentes e jovens passam a fazer parte de gangues, bandos e quadrilhas, por causa da sensação de proteção que eles oferecem.
Quando a família falha em proteger, a igreja pode ajudar. Nós podemos ser uma família que protege aqueles que se sentem desprotegidos e rejeitados por suas famílias. Jesus fala disso e promete muitos irmãos, irmãs, mãe, pais e filhos para quem o buscar e amar.
Mark 10:29–30 NVI
29 Respondeu Jesus: “Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho, 30 deixará de receber cem vezes mais, já no tempo presente, casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna.

Cooperação

Ainda em Gênesis, Deus orientou Adão para que cultivasse e guardasse o jardim, oferecendo assim à primeira família o caminho para a obtenção de seu sustento e, ao mesmo tempo, ensinando-lhes sobre função cooperativa da família.
Genesis 2:15 NVI
15 O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.
É uma função da família ensinar seus membros a obter o sustento necessário para sua sobrevivência. Ela deve fazer isso de forma cooperativa, aproveitando as capacidades individuais, investindo nas habilidades demonstradas.
Papai e mamãe, vocês não são eternos. Seus filhos precisar ser habilitados a sobreviverem por conta própria. É claro que filhos pequenos dependem de seus pais, mas eles precisam depender cada vez menos. Cada etapa de desenvolvimento deles deve corresponder a novas conquistas de independência e a novas responsabilidades, até que eles estejam prontos para andar por si mesmos.
Isso só será possível se a família for um espaço de cooperação. Se o tom da família é o egoísmo (cada um por si e todos que se virem) dificilmente será possível cumprir bem o papel de cooperação. É preciso encarar essa questão. Cooperar, significa agir juntos, como um time. Mas se cada um busca apenas o seu próprio interesse não há cooperação.
Se o pai viver para si e alcançar seus objetivos pessoais e mãe viver para realizar seus sonhos e desejos, os filhos terão poucas oportunidades para aprender a viver.
Quando a família falha em promover cooperação e treinamento para a vida, estaremos entregando à sociedade pessoas incapazes de sobreviverem por conta própria. Pessoas que serão um peso para a sociedade e para a própria família.

Apoio

Ainda no capítulo 2 de Gênesis, vemos o cuidado de Deus com a necessidade humana de intimidade e identificação. Vemos também como de uma forma especial Ele estabeleceu o relacionamento homem – mulher como resposta a essas necessidades, revelando assim a função de apoio a ser exercida pela família.
Genesis 2:20–23 NVI
20 Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse. 21 Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. 22 Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele. 23 Disse então o homem: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada”.
Família não é lugar de competição entre marido e mulher. Família não é lugar de concorrência pra ver quem tem mais diplomas, quem ganha mais dinheiro, quem tem mais amigos, quem tem o melhor discurso, ou qualquer outro tipo de disputa. Família não é lugar de auto-afirmação pelo desprezo do outro.
A expressão chave é apoio mútuo. Deus nos fez complementares, homens e mulheres, para que dependêssemos uns dos outros. Por isso, puxar o tapete do outro, expor o ponto fraco, acusar, denegrir a imagem diante de terceiros ou qualquer coisa do tipo não ajuda em nada para construir um relacionamento de apoio mútuo.
Ajudar o outro a ser tudo aquilo que Deus deseja para ele. É com essa ideia na cabeça que nós nos libertamos para apoiar as outras pessoas. Eu você fomos colocados nas vidas daqueles que nos cercam como instrumentos de Deus para o bem deles.
Pais e mães são chamados a serem a firmeza de seus filhos; maridos e esposas são chamados a apoiar-se mutuamente, filhos e filhos são chamados a apoiarem seus pais no tempo em que isso se tornar necessário. Assim a família cumpre sua função de apoio.

Conclusão

Temos presenciado grandes mudanças nas estruturas familiares, mas suas funções básicas são as mesmas, porque elas foram estabelecidas por Deus para suprir nossas necessidades com seres humano.
Assim, embora não haja um retrato único para a família, as funções para as quais ela foi instituída por Deus não podem ser esquecidas. A família que eficaz nessas funções coopera com aquilo que Deus está fazendo neste mundo.
Esses são grandes desafios e nós sabemos nem sempre as famílias são boas em fazer o que deveriam. Olhar para todas essas responsabilidades pode nos entristecer porque enxergarmos as falhas da família em que fomos criados e também os erros que nós mesmos cometemos.
Mas eu quero convidá-lo a deixar de lado esses sentimentos e a permitir que sua alma se encha de esperança no Deus que não desiste de nós. Se pedirmos sua ajuda e nos dispusermos a ouvir o seu ensino, nossas famílias poderão experimentar cada vez mais aquilo que está preparado para nós na eternidade.
Participar com Deus da criação da vida, educar para o amor a Deus e às pessoas, proteger até que esteja forte, ensinar pela cooperação a viver por conta própria e apoiar o crescimento rumo à plenitude.
Que o Senhor nos ajude a viver família!
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