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O Bom Samaritano

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Esta parábola, que é exclusiva do evangelista Lucas, teve como finalidade responder a uma questão: quem é considerado como “o próximo”? Questionamento levantado por um interprete da Lei, provavelmente um escriba.
Os doutores da Lei e sacerdotes judeus contemporâneos de Jesus criam na possibilidade de conquistarem a vida eterna através do cumprimento da Lei Mosaica. Não havia crença na Graça divina, e por isso em sua primeira pergunta, questionar o que fazer para herdar a vida eterna.
E foi nesse sentido que o escriba abordou a Jesus, na tentativa de humilhá-lo e principalmente de acusá-lo, pois esperava de Jesus uma resposta que não levasse em consideração a letra da Lei, ou mais ainda talvez, uma resposta contrária aos princípios que a Lei traz.
A cúpula judaica tinha amplo conhecimento das escrituras (no caso deles o AT). Jesus, como bom judeu, sabia bem do apreço do escriba pelas escrituras, sobretudo a Lei, porque na questão devolvida com outra questão, Cristo foi enfático em afirmar (ainda que por meio de outra pergunta) que a Lei fala e possui autoridade em si mesma, surpreendendo o doutor da Lei.
Apesar de não ter sido essa intenção de Cristo, mas desse trecho verificamos concordância com uma das solas da Reforma: Somente as Escrituras. E assim depreendemos uma lição: as escrituras devem falar sobre si mesma, não cabendo à humanidade usá-la para testificar ou servir de suporte e base para suas opiniões, achismos e filosofias. Ao contrário, nossas opiniões, achismos e filosofias é que devem ser medidas pelas escrituras, devendo ser rejeitadas nossas convicções humanas quando forem de encontro com a vontade de Deus, a saber, revelada nas escrituras.
O escriba, sendo por excelência um doutor da Lei, respondeu com precisão e corretamente o resumo de toda Lei (613 mandamentos e preceitos) quando fez referência e uniu o amar a Deus de Dt 6.5 com o amar ao próximo de Lv 19.18. Sabemos que o escriba respondeu certo, pois esta suma da Lei também foi mencionada por Jesus em Mt 22.36-40 e Mc 12.28-34.
Com um único verbo (amar) é possível obedecer aos dois mandamentos e observar a toda Lei, sendo o amor a Deus o elemento interno que é visível externamente nas atitudes expressas por nós em favor ao próximo, como bem foi dito por James Hunter em seu livro O Monge e o Executivo: “o amor é o que o amor faz”.
Assim como ocorreu ao escriba, não podemos deixar que ocorra em nós um falso entendimento a respeito dessa parábola, porque alguns podem discorrer pensamentos e argumentos a favor da obra caridosa como meio para a vida eterna, usando a parábola como base para essa inferência. Ninguém será salvo por obras da Lei (Gl 2.16).
Amar a Deus de todo coração, alma, força e entendimento é um feito inalcançável para o ser humano, semelhantemente amar ao próximo como a si mesmo também. O fato de ser impossível alcançar essa perfeição de amar nesta vida terrena, não quer dizer que a Lei está anulada ou não é eficaz. Mas que só uma pessoa transformada pelo amor de Deus é que pode verdadeiramente ser movida neste mesmo amor a amar outra necessitada. Não é natural para o ser humano amar ao próximo. Isto só é possível porque Deus primeiro nos amou primeiro (1Jo 4.19)
Ironicamente, o problema do intérprete da Lei era justamente na interpretação. Como dito anteriormente, para a elite judaica a Lei não era interpretada sob a ótica da Graça divina. Eles não conseguiam entender que o cumprimento de toda Lei é impossível para o homem. A propósito, o fim da Lei era revelar a natureza pecaminosa do ser humano e este entender que carece da Graça de Deus, que necessita de um salvador para sua alma.
Cristo, por fim resolve a questão do próximo quando, inversamente devolve outra vez a pergunta para o escriba quando questiona que foi o próximo do necessitado, despertando nele e também em nós uma auto-reflexão se estamos nos comportando como pessoas próximas ou estamos nos afastando daqueles que necessitam do amor que já recebemos de nosso Deus?
Por fim, podemos ainda retirar da parábola outra lição a respeito de nosso comportamento relacional com as pessoas que convivemos e que se colocam em nosso caminhar. O ladrão é como aquele que se comporta como quem pensa: o que é seu é meu. Já o sacerdote e o levita se comportam como quem pensa: o que é seu é seu e o que é meu é meu, cada um que se vire. Enquanto que o samaritano se comporta como quem pensa: o que é meu pode ser seu e reparte tudo o que tem com quem precisa.
Comportamo-nos como os ladrões? Como o sacerdote e o levita? Ou como o samaritano?
Referências:
Rienecker, F. (2005). Comentário Esperança, Evangelho de Lucas (p. 240–245). Editora Evangélica Esperança.
Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de Lucas: Através da Bíblia (I. Mazzacorati, Org.; Primeira edição, p. 113-115). Rádio Trans Mundial.
Hendriksen, W. (2014). Lucas (V. G. Martins, Trad.; 2a edição, Vol. 2, p. 88). Editora Cultura Cristã.
Lopes, H. D. (2017). Lucas: Jesus, o Homem Perfeito (J. C. Martinez, Org.; 1a edição, p. 337–340). Hagnos.
MacDonald, W. (2011). Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento (2a edição, p. 189). Mundo Cristão.
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