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O Ano Novo e o Fruto do Espírito Santo

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Introdução
Fim de ano chegando e é também época de reflexão e análise sobre o ano que está indo embora. Quais situações nos revelam a fidelidade e misericórdia de Deus e nos levam a sermos gratos a Ele. Lembramos nossas perdas, tristezas e desafios – que [acredito] também podem ser muitos para alguns de nós. Olhamos todas vezes que fomos negligentes com a nossa vida espiritual, apáticos, falhos, pecadores. O quanto falhamos em pequenas metas, talvez até traçadas em 2019, e que não realizamos devidamente em nossa vida pessoal, na família, no trabalho. As realizações e nossas falhas em cumprir os ministérios que Deus nos designou.
Por isso, essa época também é período de listas de final de ano com metas para o ano seguinte, sejam realizações objetivas, seja algum comportamento que queremos desenvolver. Porém, é importante você não deixar que sua lista se torne uma forma de expiação pessoal – uma religião de obras, mas abrace a liberdade do Evangelho e, por causa dele, desenvolver boas obras em 2021. Nossa mensagem de hoje fala exatamente de uma lista: a da lei. Pessoas ao longo da história buscam salvação por obras, de alguma forma, mas a ênfase do evangelho é que somos salvos unicamente pela obra de Cristo em nosso favor.
Leitura de Gálatas 5.16-26
I. Contexto:
Nesta carta, onde o apóstolo Paulo combate a seita dos judaizantes que defendiam a prática da circuncisão e guarda do calendário e das dietas judaicas, nos é ensinado o segredo para viver uma vida que agrada a Deus. Em primeiro lugar, essa é a vida que se entregou a Cristo pela fé. A lei, como uma tutora, revela os nossos pecados. A lei se torna contra nós, pois não podemos cumpri-la totalmente (Gl 3.10). Ela é um guia para mostrar nossa insuficiência moral e que precisamos de uma justiça externa a nós, ou seja, a de Cristo (Gl 3.24-27). A fé em Cristo nos justifica dos pecados – e é a justificação que se opõem ao legalismo. Quem vive na lei, vive na carne. Não é possível vitória sobre o mundo por meio da lei – pelo contrário, a lei ressalta o pecado.
Assim, desde o final do capítulo 4 o apóstolo Paulo tem exposto um contraste a escravidão da lei e a liberdade do evangelho. Cristo nos libertou da maldição da lei (5.1). A forma de encontrar a verdadeira justificação, que é o problema tratado por Paulo, é através da operação do Espírito (5.5) pela fé no Cristo ressurreto, que é o objeto da pregação de Paulo (3.1; 5.11b), a qual não inclui méritos nossos gerados pelo cumprimento da lei para a justificação.
Depois de clarear os seus destinatários a respeito disso, o apóstolo expõe a ênfase de que essa “fé se expressa pelo amor” (5.6). Essa fé garante a liberdade, a qual devemos usar para “servir uns aos outros em amor” (5.13). Servimos os outros com aquilo que recebemos do Espírito: o amor.
II. A grande oposição (16-18)
Já que a liberdade que temos tem o propósito de servir uns aos outros em amor, ou pelo amor expresso da fé, o contrário do propósito da liberdade é satisfazer a natureza humana, a da escravidão. Em Cristo não somos mais condenados pela lei, mas somos capacitados para cumpri-la através do amor ao próximo (5.14 - ou estar “sob a lei de Cristo” (1Co 9.21; ver Gl 6.2). “A motivação que o crente possui para obedecer esse mandamento é a gratidão pela redenção consumada por Cristo; o poder para sua realização é outorgado pelo Espírito de Cristo (Gl 5.1, 13, 25; cf. Ef 3.16, 17; 4.20ss; 5.1ss); e Cristo é aquele que deu pessoalmente o exemplo de obediência (Jo 13.34)” (William Hendriksen). Se devoramos uns aos outros ainda estamos na escravidão (5.15).
Então, nos versos 16 a 18 observamos que para aqueles que andam no Espírito não há realização do bem sem vencer a carne e não há obra da carne sem peso de consciência. Naturalmente o nosso arbítrio está contaminado pelo pecado (17), por isso precisamos andar no Espírito e não na carne (ou debaixo da lei e de sua acusação - 18). Andar no Espírito é viver no desejo Dele (que é a nossa santificação 1Ts 4.3). Se o Espírito de Deus não guiar o crente, ele vai continuar nas obras da carne.
E como podemos atingir este alvo da santidade? O texto responde: andai no Espírito e jamais satisfazeis à concupiscência da carne (Gl 5.16). O Espírito e natureza pecaminosa (carne) são mutuamente excludentes. Assim, se estamos ocupados em agradar aquele, não vamos satisfazer esta. O espírito nos impele a não cumprir a vontade da carne. Paulo, então, vai mostrar a diferença entre a natureza corrupta, caída, e o novo homem, regenerado.
A - As obras da carne:
É a diversidade de pecados os quais os homens se entregam. Podem ser características ou ações particularmente desenvolvidas pela natureza caída. São ações que definem o homem natural. (Jo 3.6; 2Co 5.16). Pecados sexuais, de natureza religiosa (inclusive feitiçarias), pecados interpessoais, uso desenfreado das coisas (orgias ocorriam em meio a glutonarias). Os que praticam essas coisas não conheceram a graça ainda, mas é essa a natureza deles.
Cultivar os desejos da natureza humana tem resultados deploráveis (5.19-21), desvirtuando aquilo para o qual Deus nos criou, construindo ídolos em nossos corações e os seguindo, gerando conflitos entre os homens e destruindo todo o controle humano. A consequência dessas obras é terrível: aquele que pratica essas coisas não herdará o reino de Deus (5.21b).
Vamos voltar a falar sobre as listinha de final de ano? É interessante notar que muitas delas, por mais repetitivas que sejam, não são triviais. É importante notar se algumas coisas que você coloca na lista não são apenas alguns desejos de aperfeiçoamento, mas se são pecados. Por exemplo: se esforçar para perda de peso ou evitar glutonaria, evitar trabalhar muito sem alegria, lutar contra a preguiça, ansiedade, tendência de tornar conflituoso o ambiente em que estamos, não afastar pessoas. Outros como uma evitar uma vida desregrada no uso de álcool e administração do dinheiro (dívidas ou ostentação). Note que estes desejos expressam práticas e pecados do coração. Não dizem respeito somente a nós e os outros, mas desagradam a Deus. Não são metas neutras – são uma exposição do coração. Assim, lembre-se de que em 2021 você precisa de Jesus Cristo. Você pode até alcançar algumas dessas metas, mas não vencerá o impulso do coração pecaminoso que te levou a essas situações ou condições. Somente através de Jesus Cristo, o deus-homem, que veio ao mundo e a si mesmo se entregou pelos nossos pecados, temos paz com Deus, estamos livres da condenação do pecado e temos poder para vencer as inclinações pecaminosas.
B. O fruto do Espírito
É o resultado gerado pela ação do Espírito e, apesar da diversidade de virtudes, todo o fruto é desenvolvido. Se os crentes seguirem a instrução de mortificarem a carne, o Espírito produzirá neles um conjunto de qualidades coletivamente chamadas de “fruto do espírito” (v. 22). Aquilo que é cultivado produz fruto (Mt 7.20). Conforme escreveu João Calvino, a morte da carne é a vida do Espírito. A obra do Espírito Santo na santificação não é simplesmente uma obra negativa de mortificação da carne (Rm 8.13), é também a produção de uma semelhança positiva com Cristo.
i. Amor
O primeiro aspecto do fruto é aquele que nos une diretamente à natureza de Deus, que é amor (1Jo 4.8), a maior das virtudes (1Co 13.13; Ef 5.2; Cl 3.14; Gl 5.6 e 5.13; 1Jo 3.14; 1Pe 4.8). O amor une todas as características do fruto do Espírito e pode nos inclinar a uma vida de serviço uns aos outros. Em amor, podemos revelar o caráter de Cristo em nós e desenvolvendo os outros.
ii. Alegria
Remete a uma vida grata e não murmuradora. Geralmente, pessoas que não desfrutam da alegria são aquelas que reclamam de tudo. Nada está bom. Sempre possuem algo para criticar – não aproveitam a alegria celebrativa (Ne 8), nem relacional (Rm 15.10). Alegria [e paz] não se referem a sentimentos subjetivos, mas também à forma que tratamos uns aos outros. A alegria criacional nos permite ter gozo naquilo que Deus fez e sustenta – lembre-se das festas dos israelitas. Entretanto, é importante mencionar que a alegria no Espírito não impede a tristeza ou a experiência de sofrimento e aflição (Fp 4.4).
iii. Paz
Não se refere a paz que Cristo fez através do sangue de sua cruz (Ef 2), mas a paz que Deus dá. Liberdade da ansiedade e do pânico (Fp 4.6-7) e a paz que Deus chama: sermos pacificadores (Rm 14.19 e Rm 15). Não queremos ser conhecidos pela facilidade de “montar barracos”, mas de levarmos a paz.
iv. Longanimidade (Paciência)
Ser paciente se refere a suportar – tanto sofrimentos quanto outras pessoas (inclusive, nossos inimigos). Lembre-se de Deus, Ele é tardio para se irar. A palavra “perdoar” no antigo testamento, em muitos casos, refere-se a suportar, carregar. Cristo é nossa referência de paciência (1Pe 2.21-24).
v. Benignidade (amabilidade)
Também traduzido como “gentileza”. Pessoa conciliadora com os outros. Pessoas podem ter a vontade de exercer bondade, ou seja, estão prontas para fazer o bem, mas não possuem capacidade de fazê-lo adequadamente. Jesus muitas vezes foi interrompido em seu ministério, mas ele agia com misericórdia e respondia às indagações.
vi. Bondade
Ser amoroso e atencioso para os outros. Prontidão para fazer o bem. Cumprir a vontade de Deus para os outros.
vii. Fidelidade
Em algumas traduções “fé” (pistis). Aqui não diretamente ligada a fé salvífica, mas a capacidade de confiar na palavra e expressar confiança aos outros – fidelidade/lealdade, ou seja, associada aos relacionamentos pessoais. É o sentido amplo de fé, como de Deus em relação ao homem. Também se refere a oposição à palavras falsas (heresias) e em crê apesar das circunstâncias (1Co 13.7).
viii. Mansidão
Ser manso é usar menos força do que possível em determinada situação. Jesus foi forte contra os fortes, firme contra os poderosos, mas gentil com os fracos.
ix. Domínio próprio
A raiz grega remete a “auto-restrição” quanto aos próprios desejos ou os de outrem. Claramente uma virtude que capacita a vencer os vícios e comportamentos listados nos versos de 19 a 21.
Os comentários finais de Paulo lembram que contra essas coisas não há lei (23). Isso significa que a lei aprova e não condena o caráter cristão produzido pelo Espírito Santo.
O apóstolo lembra ainda que (24) a obra de Cristo envolve mais do que o perdão e a remoção da culpa do pecado, mas ele livra do seu poder e do seu domínio - em Cristo nossas paixões foram crucificadas. (Gl 5.24 e Rm 6.5). E amados, um dia livrará da presença dele. Por fim, se temos convicção da regeneração que Deus fez em nossos corações através do Espírito, andemos também conforme a Sua direção (26).
Quer experimentar o que nos ensina a Palavra? (25 e 26) torne prática e verdadeira a sua confissão. Retire a vida voltada a si mesmo e de brigas, mas viva uma vida de amor.
Abrace os chamados meio de graça: a Palavra de Deus; uma vida de oração. Estar aberto para ser corrigido por outras pessoas (congregar e prestar contas). Vida de arrependimento e confissão.
Leia as escrituras e ore. Mas não uma resolução geral. O primeiro exemplo é você escolher um método de leitura bíblica, como a anual ou um mais indutivo com o objetivo de mergulhar no texto. Faça uma dupla ou um grupo. Comece e não desista. Logo você terá os textos memorizados (Sl 119.57) e colherá o fruto de conforto nos tempos de angústia (Lm 3.21).
Escolher um horário para fazer seu culto doméstico. Se você mora só, faça sozinho. Se você é o líder da família, chame todos. Programe a semana – pela manhã ou a noite. Orem antes das refeições. Orar sem cessar não existe sem essas pequenas orações. Se vocês são um casal ou estão unidos nalgum propósito façam juntos. Se o seu namorado ou noivo não consegue servir você espiritualmente já é um indicativo de quão relevante para sua vida com Cristo é esse relacionamento. Daqui a 10 anos você me fala sobre os resultados.
O objetivo da disciplina espiritual conhecermos mais a Jesus e termos satisfação nele. Cristo é tão valioso de forma que nada se compara a ter conhecimento dele (Fp 3.8).
2. Congregue e com todas as forças (Hb 10.25)
Congregar envolve compartilhar os nossos dons, ou seja, servir. Estamos geralmente acostumados com um modelo de igreja em que nós somente vamos. Mas no contexto bíblico, Deus dá dons aos salvos para que possa existir serviço mútuo (Rm 1.11,12).
3. Não escolha entre pecados maiores e menores, mas agradar a Deus. Não é porque você não está cometendo pecados gravíssimos que talvez você não esteja ferindo alguém com seu pecado de estimação e retornando para uma vida distante de Deus. Analise se você está agindo da forma que mais gera glória para Deus. Inclusive, a escolha deve ser a mesma inclusive quando estamos diante de opções válidas (Mateus 26.39). Nestas resoluções de fim de ano é muito raro pedimos para sermos menos egoístas. Para nos negarmos em favor do outro. Mas é exatamente aqui que prosseguimos para a mente de Cristo. Como decide Paulo, mesmo em frente da morte que ele não temia (Fp 1.21-24).
4. Toque em Pecados intocáveis. Gula, pavio curto, maledicências, preguiça, procrastinação, mal cuidado do corpo, etc. Inclusive, preste contas a alguém. Não crescermos porque não nos relacionamos com crentes confiáveis e instrutivos. Tenha alguém que você pode contar os piores pecados. Não deixe a situação ficar incontrolável para pedir ajuda e aconselhamento a pessoas que se colocam para isso (pastores e presbíteros, irmãos com experiência e disponibilidade).
“Onde o Espírito reina, a lei não exerce mais qualquer domínio” João Calvino
Soli Deo Gloria
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